
Jovens ativistas de todo o mundo se reuniram virtualmente no dia 23 de abril para o webinar juvenil da Semana Global de Ação pela Educação (GAWE) 2026.
O evento fez parte da 24ª campanha global anual da GCE para promover o direito à educação para todos. Sob o tema de 2026 sobre financiamento da educação, jovens palestrantes abordaram como a redução dos orçamentos para a educação, a dívida, a austeridade e um sistema financeiro global injusto estão minando o progresso em direção ao ODS 4 e ampliando as desigualdades. Ao longo da sessão, os participantes reafirmaram que o subfinanciamento não é simplesmente uma lacuna de recursos, mas uma injustiça estrutural enraizada em escolhas políticas e prioridades equivocadas.

Moderado por Phumza Luthango, da GCE, o webinar reuniu líderes jovens da África, América Latina e Caribe, Ásia e Oriente Médio, além de contribuições coordenadas pelo Grupo de Ação Juvenil da GCE e por parceiros regionais.
As principais intervenções incluíram:
- Jon Kafuko, da Rede Juventude pela Justiça Fiscal, destacou como as regras tributárias internacionais, os fluxos financeiros ilícitos e a fraca governança tributária global drenam bilhões que poderiam ser usados para financiar educação pública de qualidade, e pediu uma forte participação da juventude no processo da Convenção Tributária da ONU.
- Maryam Bello, da Organização Juvenil Telika, falou sobre o financiamento da educação para a igualdade de gênero na África e enfatizou que “a lacuna de financiamento é uma lacuna de gênero”. Ela instou os governos a investirem em uma educação transformadora de gênero que reflita as realidades, os meios de subsistência e a dignidade das meninas, em vez de tratá-las como instrumentos de crescimento econômico.
- Israel Quirino, do grupo de jovens da CLADE (América Latina), vinculou o financiamento da educação à justiça climática e exigiu sistemas tributários progressivos e justos, além de medidas globais contra a evasão fiscal, para que os recursos possam ser redirecionados para sistemas de educação pública resilientes que respondam à emergência climática.
- Amarazya Tumurbaata, do Conselho da Juventude da Mongólia, compartilhou experiências da campanha “Conheça seu Orçamento, Acompanhe seu Orçamento” e demonstrou como a corrupção, o atraso em projetos de capital e a fraca transparência orçamentária se traduzem diretamente em salas de aula superlotadas e acesso restrito à educação.
- Nawal AI Sayed, da ACES Youth, falou a partir de uma perspectiva da região árabe sobre a educação em tempos de guerra e crise, e insistiu que “o problema não é a falta de recursos, mas as prioridades”, já que os gastos militares são priorizados em detrimento da educação nos orçamentos públicos.

As artes visuais, a poesia e os vídeos produzidos por jovens de coalizões da GCE e redes juvenis ilustraram o impacto humano das pressões financeiras globais sobre alunos, professores e comunidades, e mostraram como a expressão criativa está sendo utilizada como ferramenta de defesa no âmbito dos processos de direitos humanos da ONU.
Ao longo do evento, os jovens palestrantes reiteraram os quatro objetivos centrais da GAWE 2026: prestação de contas em relação ao ODS 4; financiamento ampliado e justo para uma educação pública de qualidade; profunda reforma financeira global; e ampla mobilização pública para defender a educação como um bem público.
Eles exortaram os governos a:
- Alcançar e superar os parâmetros internacionais de gastos com educação e proteger os orçamentos da educação contra cortes motivados por austeridade e endividamento.
- Defendam a justiça tributária internacional e o cancelamento da dívida, para que os países tenham espaço fiscal para financiar sistemas de educação pública inclusivos, transformadores em termos de gênero e justos em relação ao clima.
- Tratem o financiamento da educação como um investimento de longo prazo em direitos, paz e igualdade, em vez de um custo discricionário que pode ser adiado em tempos de crise.

O webinar também incentivou os jovens a participarem ativamente dos processos orçamentários nacionais, das negociações fiscais globais e da reposição de recursos dos principais fundos globais de educação, incluindo a Parceria Global para a Educação (GPE) e a iniciativa “Education Cannot Wait”, por meio de pesquisas, campanhas e ações diretas de defesa de causas junto a parlamentares e embaixadas.

A GCE e seus jovens membros continuarão a manter acesa a chama da educação, pressionando os tomadores de decisão para que invistam na educação, e não na guerra; no bem público, e não no lucro privado.
Jovens defendendo o direito à aprendizagem em tempos de crise econômica
A breve mensagem em vídeo abaixo, de Olasupo Abideen Opeyemi, da Brain Builders Youth Development Initiative (BBYDI), destaca como o aumento dos custos e as dificuldades econômicas na Nigéria estão transformando a frequência escolar em uma luta diária para muitas famílias, com as meninas particularmente em risco de abandonar a escola e enfrentar o casamento precoce e desvantagens a longo prazo. Com base em pesquisas comunitárias no estado de Kwara, na Nigéria, a BBYDI mostra como as pressões financeiras estão prejudicando a continuidade da aprendizagem e o bem-estar dos alunos, ao mesmo tempo em que apresenta seus esforços para apoiar o acesso à educação, a inclusão digital e ambientes de aprendizagem seguros. Abideen ressalta que as pressões financeiras globais são visíveis em salas de aula vazias e oportunidades perdidas, e enfatiza que, para que a educação continue sendo um direito, ela deve ser ativamente protegida em tempos de crise econômica.
Você também pode assistir à gravação completa do webinar no canal do YouTube da GCE –