A Semana de Ação Global pela Educação (GAWE) 2026 promete ser uma das mobilizações mais marcantes do GCE, à medida que ativistas, educadores e líderes jovens se preparam para “manter a chama acesa” pela educação, de 20 a 25 de abril de 2026.
Em um workshop virtual de aprendizagem da GAWE 2026 realizado em 9 de abril, Cecilia “Thea” Soriano, Gerente de Campanhas e Comunicação da GCE, abriu a sessão situando a GAWE 2026 no contexto de uma crise cada vez mais grave no financiamento da educação, impulsionada por guerras, mudanças climáticas, redução da ajuda internacional e crescentes pressões de privatização.

Thea destacou que o ODS 4 sofre de um subfinanciamento crônico. Há um déficit anual de US$ 97 bilhões, 41% dos países não cumprem os parâmetros internacionais de gastos com educação e muitos países de baixa renda gastam atualmente mais com o pagamento da dívida do que com a educação. Ela definiu a GAWE 2026 em torno de quatro prioridades: (1) expor a crise do financiamento da educação, (2) exigir maiores investimentos domésticos e de AOD em educação pública de qualidade para todos, (3) aproveitar oportunidades políticas, como a Convenção-Quadro da ONU sobre Cooperação Fiscal Internacional e uma futura Convenção da ONU sobre Dívida Soberana, e (4) vincular o financiamento a objetivos mais amplos de direitos humanos, paz, igualdade de gênero, inclusão e desenvolvimento sustentável.
Por que a mobilização de recursos domésticos é importante
No primeiro segmento temático, Thea introduziu uma discussão sobre por que a mobilização de recursos internos (DRM) é a pedra angular do financiamento sustentável da educação e como mecanismos “inovadores” podem ameaçar a educação pública quando priorizam o lucro em detrimento dos direitos. Ela enfatizou que sistemas tributários justos e progressivos são a força vital da educação pública, mas muitos governos dependem de impostos regressivos, toleram abusos fiscais e lutam contra a administração fraca e a corrupção, tudo isso sob uma arquitetura financeira global inclinada a favor dos países mais ricos.
Campanhas para o financiamento sustentável da educação
Um painel sobre campanhas tributárias e de dívida reuniu Ashina Mtsumi, coordenadora da TaxEd Alliance; e Catherine Mithia, oficial de pesquisa de políticas e advocacy da Convenção das Nações Unidas sobre Gestão da Dívida Soberana.

Ashina mostrou que muitos países de baixa e média renda arrecadam menos de 15% do PIB em impostos — muito abaixo dos cerca de 30% necessários para financiar adequadamente os direitos e os serviços públicos — e desmentiu o mito de que isenções fiscais generosas são necessárias para atrair investidores, apontando, em vez disso, para as enormes perdas anuais decorrentes do abuso fiscal por parte das empresas e da evasão offshore. Ela instou as coalizões a acabar com incentivos fiscais prejudiciais, reformar a tributação das indústrias extrativas, renegociar tratados fiscais injustos e pressionar por sistemas tributários progressivos e sensíveis às questões de gênero, ao mesmo tempo em que se engajam ativamente nas negociações para uma convenção tributária da ONU.

Catherine explicou como o aumento da dívida, cada vez mais comercial – frequentemente contraída a taxas de juros duas a quatro vezes superiores às pagas pelos países de alta renda –, está prejudicando a educação, com muitos governos gastando atualmente mais com o serviço da dívida do que com a educação. Ela destacou os efeitos prejudiciais das condições de austeridade vinculadas aos empréstimos do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, que frequentemente congelam ou cortam os gastos públicos em setores como educação e saúde, e pediu às coalizões que apoiem uma Convenção da ONU sobre Dívida Soberana que estabeleceria mecanismos transparentes, oportunos e baseados em direitos para a resolução da dívida.
Reconstituição da GPE e AOD: Por que o multilateralismo ainda é importante
A sessão seguinte voltou-se para a campanha de reconstituição da Parceria Global para a Educação (GPE) e o papel central da ajuda na agenda educacional “Não deixar ninguém para trás”. Heather Saunders, vice-líder da equipe de advocacy global da GPE, e Edwin Ikhuoria, especialista sênior em parcerias da equipe de advocacy global da GPE, apresentaram uma visão geral do processo de reposição, explicando que a GPE busca 5 bilhões de dólares até 2030, com potencial para mobilizar mais 10 bilhões em cofinanciamento e apoiar centenas de milhões de alunos e milhões de professores. Eles também compartilharam atualizações sobre a mobilização de recursos domésticos e os compromissos dos países, e incentivaram as coalizões a ver a GAWE 2026 como um momento para conectar a defesa do orçamento nacional com apelos aos doadores para que aumentem e direcionem melhor a Ajuda Oficial ao Desenvolvimento (AOD) para a educação.

Uma sessão dedicada a estratégias práticas contou com a participação de Cheikh Mbow, diretor executivo da COSYDEP – Senegal, Joseph Wasikhongo, coordenador nacional da Elimu Yetu – Quênia, e Joseph Nhan-O’Reilly, cofundador e diretor executivo da Rede Parlamentar Internacional para a Educação (GCE-UK). Eles refletiram sobre ciclos de reposição anteriores, enfatizando táticas como cartas coordenadas e reuniões com ministros da Educação e das Finanças, mobilização de parlamentares, mobilizações de cidadãos, uso da mídia e alinhamento das ações da sociedade civil com momentos diplomáticos-chave para garantir compromissos mais sólidos.
Crianças, Jovens e Advocacia Criativa
A participação juvenil e a organização intergeracional foram destacadas em um segmento liderado por Israel Quirino, Coordenador de Projetos e ponto focal de Engajamento Juvenil na Campanha Latino-Americana pelo Direito à Educação (CLADE). Israel vinculou a GAWE 2026 ao apelo do Relator Especial da ONU sobre o direito à educação por contribuições sobre a arquitetura financeira internacional, a dívida e o direito à educação, convidando as coalizões a realizar sessões nas quais crianças e jovens possam explorar esses temas e enviar desenhos, poemas, histórias ou vídeos. O objetivo é garantir que aqueles mais afetados pela austeridade e pelas escolas subfinanciadas moldem a narrativa e as demandas políticas da campanha.
Comunicação: Contando uma história compartilhada
Na sessão final, a Diretora de Comunicação e Mídia da GCE, Medha Soni, delineou uma estratégia de campanha construída em torno de três pilares – o financiamento da educação como escolha política, a defesa da educação pública de qualidade e um enquadramento centrado na justiça que vincula a educação a impostos, dívida, paz e desigualdade – e uma narrativa de seis dias apresentada por meio de cartazes e estratégias de mídia social. Cada dia se concentrará em um ângulo específico, desde mensagens gerais sobre investimento e AOD/GPE até a educação infantil, professores, justiça tributária e da dívida, e o apelo final para “Financiar a educação, não a guerra”. As coalizões poderão utilizar uma identidade visual compartilhada e materiais multilíngues, juntamente com hashtags comuns como #HoldTheFlameHigh, #GAWE2026, #EducationFinancing, #RightToEducation e #MultiplyPossibility, ao mesmo tempo em que adaptam o conteúdo e as ações aos seus próprios contextos.

À medida que a GAWE 2026 se aproxima, o workshop enfatizou que o financiamento da educação não é um detalhe técnico, mas uma escolha política que determinará se a promessa de educação para todos será concretizada ou adiada mais uma vez. Por meio de ações coordenadas de advocacy sobre impostos e dívida, forte mobilização pública e uso estratégico de plataformas globais como a reposição de recursos da GPE, os membros e aliados da GCE pretendem garantir que, neste mês de abril e nos anos seguintes, a chama do direito à educação brilhe ainda mais forte.