Jovens de toda a Ásia-Pacífico levantam-se pela justiça e responsabilização

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Em toda a região Ásia-Pacífico, os jovens estão a recuperar o espaço cívico e a exigir justiça, igualdade e responsabilização. Só em 2025, surgiram movimentos liderados por jovens em vários países, desde as ruas da Mongólia e da Indonésia até ao Nepal, Timor-Leste e Filipinas. Estas ações coletivas refletem uma profunda tradição regional de ativismo estudantil e juvenil, que continua a alimentar a transformação social.

Os jovens têm sido, há muito tempo, uma força moral e política na história da região. Eles têm dito a verdade ao poder, desafiado a opressão e redefinido os limites da democracia e da participação cívica. Desde derrubar ditaduras e opor-se a guerras até denunciar a corrupção, a desigualdade e a destruição ambiental, os movimentos juvenis na Ásia-Pacífico continuam no centro da luta pela justiça e pela paz.

Em 21 de setembro de 2025 — o 53.º aniversário da Lei Marcial — dezenas de milhares de filipinos encheram as ruas naquilo que ficou conhecido como a Marcha de Trilhões de Pesos Contra a Corrupção. Líderes da sociedade civil, grupos religiosos e cidadãos comuns marcharam para condenar o uso indevido maciço de fundos públicos nos chamados «projetos fantasmas de controlo de inundações». Vestidos de branco e carregando cartazes, os manifestantes exigiram justiça e transparência, pedindo a prisão dos responsáveis e a devolução total dos fundos roubados. “Cada peso roubado é uma vida negada”, observou um participante. A marcha transformou-se num grito coletivo por dignidade e responsabilidade, unindo indivíduos de todas as classes sociais sob o lema comum: Já basta.

Refletindo sobre a experiência, Lae Santiago, Diretora de Advocacia e Envolvimento Juvenil da Associação Ásia-Pacífico Sul para a Educação Básica e de Adultos (ASPBAE), observou: “Uma coisa é aprender história nos livros, mas vivê-la é uma experiência totalmente diferente. Marchamos porque sabíamos o que estava em jogo, não apenas para nós mesmos, mas para as gerações futuras”. Lae salientou que a educação é fundamental para transformar os sistemas de corrupção e desigualdade, argumentando que as escolas devem fomentar o pensamento crítico, o envolvimento cívico e o compromisso com os direitos humanos.

Na Indonésia, 2025 assistiu a uma onda de manifestações massivas contra a corrupção governamental, as dificuldades económicas e a repressão política. Desencadeado por revoltas locais em Pati, Java Central, o movimento transformou-se num protesto nacional liderado por jovens e ativistas da Geração Z. As reivindicações dos manifestantes abordavam queixas de longa data, desde políticas fiscais injustas e escândalos de corrupção até à exploração ambiental. Quando um jovem motorista online, Affan Kurniawan, foi morto após ser atropelado por um veículo da polícia durante os protestos, a indignação espalhou-se por todo o país. O incidente simbolizou a profunda desilusão entre os jovens indonésios que enfrentam uma governação inadequada e liberdades cívicas cada vez mais reduzidas.

De acordo com Anna Bella Sabilah, coordenadora juvenil da Rede para a Vigilância da Educação (NEW) da Indonésia: «A raiva do povo nasceu do cansaço, do ciclo interminável de corrupção e injustiça. No entanto, a força deste movimento reside na nossa solidariedade — agricultores, comerciantes, motoristas e cidadãos comuns unidos como um só.»

Apesar da repressão estatal, os ativistas continuaram a organizar-se através de plataformas digitais, utilizando as redes sociais para mobilizar apoio, angariar fundos e divulgar informações. Movimentos como #WargaBantuWarga (Cidadãos Ajudam Cidadãos) e #SalingJaga (Proteção Mútua) tornaram-se símbolos cruciais da solidariedade horizontal entre as comunidades. Os jovens indonésios adotaram símbolos criativos de resistência – “rosa corajoso”, “verde herói” e “resistência azul” – infundindo a sua luta com cultura, humor e resiliência.

De 15 a 17 de setembro, as ruas de Díli encheram-se de milhares de manifestantes, principalmente estudantes universitários que se mobilizaram contra a Lei da Pensão Mensal Vitalícia do Parlamento timorense e o seu plano de comprar novos carros de luxo para os legisladores. As manifestações, lideradas por coligações estudantis e apoiadas por organizações da sociedade civil, como a Parceria da Sociedade Civil para a Educação (CSEP) e o Fórum da Juventude Marginalizada (MYF), exigiram que os fundos públicos fossem redirecionados para a saúde, a educação, a agricultura e o turismo.

Após três dias de protestos determinados e apesar dos confrontos com a polícia, os estudantes conquistaram uma vitória histórica. Em 5 de setembro, todos os 63 membros do Parlamento votaram unanimemente pela revogação da Lei da Pensão Mensal Vitalícia, marcando um marco para a defesa dos direitos dos jovens no país. Como escreveu Feliciano Soares, Diretor de Pesquisa e Defesa do CSEP: “Esta vitória prova que, quando os jovens se unem com propósito, coragem e clareza, mesmo os sistemas de privilégios mais arraigados podem ser desmantelados.”

Em toda a Ásia-Pacífico, os jovens não estão apenas a reagir, estão a construir visões para sociedades mais justas e participativas. Por meio de organizações de base, mobilização online e expressão criativa, eles continuam a enfrentar a corrupção, a desigualdade e o autoritarismo. A sua resiliência mostra que os movimentos por mudanças podem prosperar mesmo sob sistemas repressivos. Como observou Sabilah, “O verdadeiro poder dos jovens reside na resiliência e na criatividade. A resistência nunca ficará sem formas de sobreviver e se multiplicar.”

Seja nas ruas de Manila, Dili ou Jacarta, a mensagem continua a mesma: os jovens de hoje não serão silenciados. Unidos por lutas comuns e esperança coletiva, eles estão a levar a Ásia-Pacífico para mais perto de um futuro democrático, inclusivo e responsável.